Nessa
quinta-feira, dia 18.04, fiz uma enfiada, com meu guia e professor Paulo
Guerra, de cerca de 50 metros na via Salomith (3ᵒ IIIsup), no morro da
Babilônia. O dia amanheceu meio feio, mas não demorou a ficar muito bonito com
o sol de outono a nos aquecer, sem contudo nos torrar.
Depois
da experiência na Coringa confesso que estava meio receoso. Errei passadas por
demais da última vez, e temia que algo parecido acontecesse. Mas decidi que em
matéria de escalada, pelo menos, missão dada teria que ser cumprida. Mesmo com
meu característico pessimismo martelando na cabeça. Logo na chegada da via um
obstáculo, para mim, é claro. A base da via fica num pequeno platô, e você
chega até ele subindo na rocha sem segurança. E vejam bem, a segurança não é
necessária, visto que a subida e de pequena inclinação, praticamente uma curta
escalaminhada de uns cinco metros. Paulo me atirou a sapatilha, calcei-as e
subi sem maiores dificuldades. Cabeça é tudo. Bastou eu me sentir seguro e pronto.
Desenrolei
minha corda (sim, minha, adquiri a poucos dias e estou muito alegre), nos
encordamos, montei a segurança e lá se foi o Paulo. Não sem antes algumas
dicas. A saída da Salomith e um pouco mais vertical que as anteriores que eu
havia feito, mas ele mostrou as melhores agarras e regletes. Avisou-me também
que em determinado momento ficaria fora das minhas vistas, e que nos
comunicaríamos pela voz apenas. Mal sabia eu que ele havia planejado tal
situação, posto que na Coringa o fato de não vê-lo levou-me quase a desistir de
continuar a via. Ele queria que eu superasse esse obstáculo.
Bem
lá fui eu, primeira passada, segunda, vlupt. Escorreguei. Parei na base. Um ou
outro arranhão. Meu pessimismo gritava tão alto que quase dava para os turistas
ouvirem lá do Pão-de-Açúcar. Calei-o. Ascendi firme, apesar de bastante
adrenado e... Passei o primeiro obstáculo. Uhulll! Feliz. Já enxergava o Paulo,
que montou a parada num grampo duplo em um pequeno platô que ele apelidou de
sala-de-estar.
Meu
desgaste físico já era grande. Estou há umas semanas longe da academia, e para
mim que sou quase quarentão, e que adora num chesburguer, isso promove um
estrago violento no condicionamento. Tanto que tive que parar duas vezes antes
de chegar a parada para respirar.
Devo
dizer que fiz umas passadas que me orgulharam, outras nem tanto, mas de
qualquer maneira eu consegui chegar até a parada. Ficamos lá, a admirar uma
paisagem pra lá de muito bonita. A vista. O espetáculo da vista. O prazer
inenarrável de ver a paisagem de um ângulo único, singular. Pensei em mim, na
minha vida, nos meu filhos, na minha esposa... Pensei. Lá de cima parece que é
mais fácil pensar. Sei lá. Parece.
Aprendi
algumas coisas novas dessa vez. Não importa o tamanho do obstáculo, sempre
existe uma forma de ultrapassá-lo, seja através dele ou por uma rota
alternativa. Tudo depende de como você esta preparado e o que você está
disposto a fazer, ou que pode fazer.
O
ideal e passar pela via de forma limpa (sem usar de subterfúgios). É para isso
que escalamos, mas se isso ainda não estiver ao nosso alcance, ou se nossas
limitações ainda impeçam, existem formas, que não são desleais (mas que, tão
somente, demonstram estarmos ainda em evolução), que permitirão que todos nós
sejamos capazes de passar pelas piores situações. Assim é na pedra, assim é na
vida.
Outra
coisa que aprendi. Tenho que perder uns dez quilos. Esteira, lá vou eu.







