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sábado, 20 de abril de 2013

Salomith, obstáculos e superação


Nessa quinta-feira, dia 18.04, fiz uma enfiada, com meu guia e professor Paulo Guerra, de cerca de 50 metros na via Salomith (3ᵒ IIIsup), no morro da Babilônia. O dia amanheceu meio feio, mas não demorou a ficar muito bonito com o sol de outono a nos aquecer, sem contudo nos torrar.
Depois da experiência na Coringa confesso que estava meio receoso. Errei passadas por demais da última vez, e temia que algo parecido acontecesse. Mas decidi que em matéria de escalada, pelo menos, missão dada teria que ser cumprida. Mesmo com meu característico pessimismo martelando na cabeça. Logo na chegada da via um obstáculo, para mim, é claro. A base da via fica num pequeno platô, e você chega até ele subindo na rocha sem segurança. E vejam bem, a segurança não é necessária, visto que a subida e de pequena inclinação, praticamente uma curta escalaminhada de uns cinco metros. Paulo me atirou a sapatilha, calcei-as e subi sem maiores dificuldades. Cabeça é tudo. Bastou eu me sentir seguro e pronto.
Desenrolei minha corda (sim, minha, adquiri a poucos dias e estou muito alegre), nos encordamos, montei a segurança e lá se foi o Paulo. Não sem antes algumas dicas. A saída da Salomith e um pouco mais vertical que as anteriores que eu havia feito, mas ele mostrou as melhores agarras e regletes. Avisou-me também que em determinado momento ficaria fora das minhas vistas, e que nos comunicaríamos pela voz apenas. Mal sabia eu que ele havia planejado tal situação, posto que na Coringa o fato de não vê-lo levou-me quase a desistir de continuar a via. Ele queria que eu superasse esse obstáculo.
Bem lá fui eu, primeira passada, segunda, vlupt. Escorreguei. Parei na base. Um ou outro arranhão. Meu pessimismo gritava tão alto que quase dava para os turistas ouvirem lá do Pão-de-Açúcar. Calei-o. Ascendi firme, apesar de bastante adrenado e... Passei o primeiro obstáculo. Uhulll! Feliz. Já enxergava o Paulo, que montou a parada num grampo duplo em um pequeno platô que ele apelidou de sala-de-estar.
Meu desgaste físico já era grande. Estou há umas semanas longe da academia, e para mim que sou quase quarentão, e que adora num chesburguer, isso promove um estrago violento no condicionamento. Tanto que tive que parar duas vezes antes de chegar a parada para respirar.
Devo dizer que fiz umas passadas que me orgulharam, outras nem tanto, mas de qualquer maneira eu consegui chegar até a parada. Ficamos lá, a admirar uma paisagem pra lá de muito bonita. A vista. O espetáculo da vista. O prazer inenarrável de ver a paisagem de um ângulo único, singular. Pensei em mim, na minha vida, nos meu filhos, na minha esposa... Pensei. Lá de cima parece que é mais fácil pensar. Sei lá. Parece.
Aprendi algumas coisas novas dessa vez. Não importa o tamanho do obstáculo, sempre existe uma forma de ultrapassá-lo, seja através dele ou por uma rota alternativa. Tudo depende de como você esta preparado e o que você está disposto a fazer, ou que pode fazer.
O ideal e passar pela via de forma limpa (sem usar de subterfúgios). É para isso que escalamos, mas se isso ainda não estiver ao nosso alcance, ou se nossas limitações ainda impeçam, existem formas, que não são desleais (mas que, tão somente, demonstram estarmos ainda em evolução), que permitirão que todos nós sejamos capazes de passar pelas piores situações. Assim é na pedra, assim é na vida.
Outra coisa que aprendi. Tenho que perder uns dez quilos. Esteira, lá vou eu.





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